Atualizado em agosto de 2026 · leitura de ~7 min
“Ter uma IATA” significa poder emitir bilhetes das companhias aéreas diretamente pelo BSP (Billing and Settlement Plan), o sistema de faturamento e liquidação entre agências e companhias. Mas você não precisa, necessariamente, do credenciamento próprio para começar a vender passagem — e é aí que muita agência erra a conta. Este guia mostra os dois caminhos e como escolher.
O que significa “ter uma IATA”
A IATA (International Air Transport Association) é a associação internacional das companhias aéreas. O credenciamento IATA dá à agência um número que a habilita a emitir bilhetes pelo BSP, prestando contas diretamente às companhias. Sem esse credenciamento, a agência ainda vende passagem — só que através de um intermediário credenciado (a consolidadora).
Caminho 1 — Credenciamento IATA próprio
É o modelo em que a própria agência integra o BSP e emite em seu nome. Dá mais independência e margem em alto volume, mas tem exigências reais.
Requisitos legais e empresariais
- Empresa formalmente constituída, com CNPJ ativo e atividade de agência de viagens no objeto social;
- Cadastur ativo e inscrições fiscais em ordem;
- Endereço comercial identificável e responsáveis que atendam aos critérios de idoneidade/experiência.
Requisito financeiro (o ponto central)
A IATA analisa a saúde financeira da agência e, quando o patrimônio não cobre os parâmetros exigidos, pede uma garantia financeira (normalmente carta de fiança bancária ou seguro-garantia). Não existe um valor fixo público: a própria IATA informa que “o valor da garantia será fornecido após o recebimento das demonstrações financeiras auditadas”. Ou seja, é calculado caso a caso, conforme risco e volume esperado.
A escolha do modelo muda muito essa exigência: no GoLite (sem dinheiro em espécie, apenas cartão e IATA EasyPay) normalmente não há garantia para emitir; o GoStandard dá acesso a todas as formas de pagamento e costuma envolver garantia.
Taxas e passo a passo
O modelo hoje é de taxa anual única, sem custo por transação. Os valores específicos em reais ficam no guia de aplicação do Brasil e no Portal do Cliente da IATA, e mudam periodicamente — por isso o certo é confirmar direto na fonte antes de decidir. O fluxo é: cadastro no Portal do Cliente IATA → dados da empresa → escolha do modelo → solicitação de nova matriz → análise dos documentos e cobrança das taxas → apresentação da garantia, se exigida (prazo aproximado de 40 dias) → assinatura do acordo → integração ao BSP.
Caminho 2 — Emitir via consolidadora
A consolidadora já é credenciada IATA e “empresta” o credenciamento dela: você emite pela plataforma da consolidadora, sem precisar de IATA própria, sem garantia bancária e sem caução. É como quase toda agência começa.
Como você ganha
Basicamente três formatos, que muitas vezes convivem: comissão direta (percentual repassado), tarifa net (a consolidadora te passa o preço líquido e você aplica o seu markup) e override (bônus por volume). Somado a isso, você cobra a sua própria taxa de serviço (RAV) do cliente — onde aparece boa parte da margem da agência.
Pagamento e cadastro
O cliente paga a você (Pix, cartão, boleto); você acerta com a consolidadora por cartão/Pix e, com histórico e análise de crédito aprovada, passa a ter faturamento (boleto corporativo). O cadastro em geral não tem taxa de setup nem mensalidade e costuma aceitar MEI com CNAE de turismo — a barreira financeira pesada da IATA própria simplesmente não existe aqui.
IATA própria x consolidadora: como decidir
| Critério | Consolidadora | IATA própria |
|---|---|---|
| Barreira de entrada | Baixa — sem caução, cadastro rápido | Alta — garantia financeira e taxas |
| Caixa | Preserva (paga via cartão/Pix do cliente no início) | Exige estrutura para liquidar no BSP |
| Margem | Divide parte da comissão | Maior em alto volume (overrides diretos) |
| Independência | Menor (depende da plataforma) | Total |
| Melhor momento | Começo e volume baixo/médio | Quando o volume justifica assumir custos |
A progressão natural é clara: comece na consolidadora e migre para a IATA própria quando o volume de vendas justificar assumir as taxas e a garantia — trocando simplicidade por independência e margem.
Como escolher a consolidadora certa
Se o caminho for a consolidadora, estes são os critérios que mais importam para uma agência iniciante:
- Aceita CNPJ novo/MEI e não exige IATA própria — sem isso, não serve para quem está começando;
- Custo de entrada zero — sem adesão, mensalidade ou caução;
- Pagamento compatível com quem não tem crédito ainda — Pix/cartão do cliente no início, faturamento depois;
- Reputação e solidez — risco de reembolso e continuidade da empresa importam;
- Plataforma e suporte — emissão, remarcação e reembolso ficam com você; suporte ágil faz diferença;
- Amplitude de tarifas — plataformas agregadoras deixam comparar várias consolidadoras num cadastro só.
Checklist prático
- Deixe em ordem: CNPJ com CNAE de turismo, Cadastur ativo e um e-mail de domínio próprio;
- Separe os documentos: contrato social/certificado MEI, documentos dos sócios, comprovante de endereço e dados bancários;
- Comece pela consolidadora (2–3 cadastros) e pague via Pix/cartão do cliente enquanto não tem crédito;
- Compare tarifa net, comissão, suporte e política de remarcação/reembolso;
- Migre para a IATA própria apenas quando o volume justificar taxas e garantia financeira.
Perguntas frequentes
Preciso de IATA própria para vender passagem?
Não. Via consolidadora você emite bilhetes sem ter credenciamento próprio. A IATA própria vale a pena quando o volume justifica assumir custos e garantia.
Quanto custa a garantia da IATA?
Não é um valor fixo: a IATA calcula individualmente, a partir das suas demonstrações financeiras e do volume esperado. No modelo GoLite normalmente não há garantia.
A consolidadora cobra para cadastrar?
Em geral não há taxa de setup nem mensalidade, e costuma aceitar MEI com CNAE de turismo.
O que é o Cadastur?
O registro obrigatório das agências no Ministério do Turismo — necessário sempre, com ou sem IATA própria.
Precisa de orientação para regularizar sua agência?
Da constituição da empresa ao Cadastur e aos contratos com fornecedores, o caminho fica mais seguro com apoio adequado.
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